terça-feira, 17 de novembro de 2009

Manifestação do GT de Língua de Sinais da ANPOL

Ao Setor de Marketing Social da Rede Globo de Televisão


Diretores Luiz Erlanger e Albert Alcouloumbre

Assunto:

Manifestação do GT de Língua de Sinais, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós‐Graduação em Linguística (ANPOL) e demais especialistas da língua de sinais, à publicação postada na página da Associação Brasileira de Otorrino‐laringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial (ABORL‐CCF)
(cf. http://www.aborlccf.org.br/conteudo/secao.asp?s=51&id=2092)

Os surdos brasileiros estão espalhados nos estados do país e formam a Comunidade Surda Brasileira. Esses surdos usam a Língua Brasileira de Sinais, reconhecida oficialmente por meio da Lei de Libras 10.436, de 2002. É uma língua que apresenta todas as propriedades linguísticas de quaisquer outras línguas humanas, ou seja, por meio dela é possível falar sobre quaisquer assuntos (desde o mais trivial até o mais acadêmico, técnico e científico).

Enquanto doutores especialistas da língua de sinais, precisamos informar às instituições públicas e privadas brasileiras que qualquer comunidade linguística tem o direito de usar sua língua nativa, conforme previsto na
Declaração Universal dos Direitos Linguisticos ‐ UNESCO (disponível em: http://www.linguistic‐declaration.org/index.htm).
Conforme a Federação Mundial de Surdos, o Brasil é um dos países que está mais avançado quanto às políticas linguísticas de reconhecimento da língua de sinais pelo país. Portanto, estamos à frente de muitos outros países, por termos uma Lei que reconhece a Libras como língua nacional e um decreto que a regulamenta ações concretas que a legitima (Decreto 5626/2005).

Portanto, a manifestação dos otorrinolaringologistas à REDE GLOBO, dizendo que a utilização da Libras na novela “Cama de Gato” é considerada um “retrocesso” é improcedente! Pelo contrário, a REDE GLOBO, como já fez em outros momentos, está incluindo uma das línguas nacionais do país em suas novelas. Fazendo isso, a REDE GLOBO, além de incluir os surdos brasileiros, usuários da Libras, na sociedade, está reconhecendo o estatuto linguístico social de grupo social minoritário que faz parte do país. Essa atitude é louvável e representa, sim, uma postura atual e atenta à realidade brasileira.

Gostaríamos, ainda, de manifestar que, do ponto de vista linguístico, ser bilíngue, apresenta uma série de vantagens. Os surdos brasileiros com implante ou sem implante coclear, na sua grande maioria, são bilíngues,
tendo, portanto, a Libras e a Língua Portuguesa, enquanto línguas. Alguns deles são multilíngues, fluentes em Inglês e Língua de Sinais Americana. Retrocesso é fadar surdos com implante coclear a serem monolíngues, pois, considerando o estado atual de globalização em que se encontra o mundo todo, as pessoas monolíngues encontram‐se em posições muito menos privilegiadas socialmente. Portanto, reforçamos que o comentário dessa equipe médica específica é inaceitável, e contraria as recomendações de outras equipes médicas, como a de Isabelle Rapin, Medicine Doctor, do Albert Einstein College of Medicine, Bronx, N.Y., que recomenda explicitamente que a língua de sinais seja usada como parte do programa de reabilitação auditiva de crianças implantadas.
Há muitos otologistas no exterior que fazem uso da língua de sinais em apoio a programas de reabilitação auditiva. Isso é recomendado explicitamente na Enciclopédia Médica de Swaiman, K. F. (1994). Pediatric
Neurology: Principles and practices (2nd ed.), St. Louis: Mosby. capítulo de Isabelle Rapin: Children with hearing impairment.

Dr. Tarcísio Arantes Leite – Universidade Federal de Santa Catarina – Coordenador do Curso de Letras Libras Presencial
Dra. Ana Claudia Baliero Lodi – Universidade Metodista de Piracicaba
Dra. Regina Maria de Souza – Universidade de Campinas
Dr. Leland MacCleary – Universidade de São Paulo
Dra. Wilma Favorito ‐ Curso Bilíngue de Pedagogia – Instituto Nacional de Educação de Surdos ‐ INES
Dra. Rossana Finau – Centro Federal de Educação Teconologica do Paraná
Dra. Marianne Stumpf – Universidade Federal de Santa Catarina – Coordenadora do Curso de Letras Libras EAD e Representante da Federação Mundial de Surdos
Ms. Myrna Salerno Monteiro – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Dra. Maria Cristina Pereira – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ‐ DERDIC
Dra. Ana Regina e Souza Campello – Universidade Federal de Santa Catarina – Professora e Pesquisadora de Libras
Dr. Fernando Capovilla – Universidade de São Paulo ‐ PhD em Psicologia e livre‐docente em Neuropsicologia Clínica
Dra. Maria Cecília de Moura ‐ Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Dra. Sandra Patrícia do Nascimento – Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), Colaboradora na FENEIS‐DF
Dra. Clélia Regina Ramos ‐ Membro do Comitê Brasileiro de Tecnologia Assistiva da CORDE e Pesquisadora Associada do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Dra. Ronice Müller de Quadros – Universidade Federal de Santa Catarina

11 de novembro de 2009

Absurdo: língua de sinais, um retrocesso?

Veja na íntegra matéria publicada no site da Associação Brasileira de Otorrino‐laringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial (ABORL‐CCF) (cf. http://www.aborlccf.org.br/conteudo/secao.asp?s=51&id=2092) que orienta a Rede Globo a não aceitar o uso da Libras na novela "Cama de Gato" e afirma: é um retrocesso!


ORL em prol da informação na TV Globo

29/10/2009


Um grupo formado por quatro otorrinolaringologistas - Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Presidente da ABORL-CCF, Prof. Dr. Silvio Caldas (Presidente-Eleito da SBO) e da UFPE, Prof. Dr. Shiro Tomita da UFRJ e Prof. Dr. Rogério Hamershimidt da UFPR - participou de um almoço com dois diretores do Marketing Social da Rede Globo de Televisão, Luiz Erlanger e Albert Alcouloumbre, para conversarem sobre surdez, tema levado na atual novela das 18 horas da emissora, "Cama de Gato", com o personagem Tarcisio.

"Entregamos uma carta ao Erlanger, assinada por dez professores doutores de várias universidades federais e estaduais - Prof. Dr. Rubens Vuonno de Brito Neto, Prof. Dr. Luiz Lavinsky, Prof. Dr. Shiro Tomita, Prof. Dr. Paulo Porto, Prof. Dr. Silvio da Silva Caldas Neto, Prof. Dr. André Luis Sampaio, Prof. Dr. Robinson Koji Tsuji, Prof. Dr. Rogério Hamerschimidt, além de mim -, pedindo que se preste atenção no implante coclear como tendência mundial em tratamento de surdez severa e profunda e que consideramos um retrocesso o uso de Libras na novela", diz Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, o organizador da comitiva.

Em uma reunião breve, porém, produtiva, foram apresentados os resultados dessa cirurgia no mundo todo, o avanço que representa essa técnica cirúrgica no País e até o número da portaria aprovada pelo SUS - MS 1287 de 1999 - como tratamento gratuito para modificar a situação do surdo severo e profundo brasileiro.

"Há mais de 300 mil implantados no mundo, com aproximadamente 3 mil no Brasil. No dia 9 de novembro, o HCFMUSP comemorará a cirurgia número 500, em coquetel no Memorial da América Latina, e não poderíamos deixar de expressar a nossa opinião. A cirurgia de implante coclear possibilita excelente qualidade de vida a quem nasceu surdo, ou perdeu a audição com o passar do tempo por várias causas e permitindo uma vida normal junto a outros ouvintes, além da inserção num mercado de trabalho competitivo da mesma forma que qualquer outra pessoa", esclarece Prof. Dr. Ricardo.

Na reunião, houve um pedido dos quatro médicos presentes para os diretores encaminharem às autoras da novela "Cama de Gato", Duca Rachid e Thelma Guedes, o cuidado que devem ter em relação à linguagem de sinais. "Os telespectadores da novela que vivenciam o problema poderão prejudicar a decisão de famílias que virão a tratarem seus filhos surdos. Temos que respeitar a vontade daqueles adultos que não tiveram a oportunidade de serem implantados e hoje desejam continuar surdos. Mas não se pode negar às crianças pequenas, que ainda não podem decidir por si próprias, o direito de serem ouvintes", diz.

Essa reunião, que transcorreu em um almoço dentro do prédio da Rede Globo de Televisão, na Rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico, esclareceu mais um ponto sobre o implante coclear - quanto mais cedo for feito o tratamento, melhor o resultado. "Acreditamos que a Rede Globo tem todas as condições de informar corretamente as pessoas de todo o Brasil e, o melhor, ajudará a tirar o estigma da surdez da população brasileira, pessoas que vivem, definitivamente, caladas, por desinformação", continua o Prof. Ricardo.

No final da reunião, os Professores Doutores Ricardo Ferreira Bento, de São Paulo, Shiro Tomita, do Rio de Janeiro, Silvio Caldas Neto, de Recife e Rogério Hamerschimidt, de Curitiba, conheceram parte da Rede Globo de Televisão. "Agora, aguardamos o resultado da carta enviada e que, sabemos, será entregue, em mãos das autoras", finaliza o professor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TIMOR-LESTE: O POTENCIAL DO SURDO



Cleonice Terezinha Fernandes[i]


Este título apresenta um trocadilho intencional: refere-se simultaneamente a potencialidade intelectual do surdo1a ou da comunidade surda e pretensamente remete a um potencial que está “surdo”, quer dizer, ora tomando a palavra numa acepção do senso comum, no sentido de que o mesmo é um potencial latente não descoberto na e pela cultura ouvinte.

Pretendo relatar uma experiência importante ainda desconhecida aos “ouvidos” e olhos da cultura ouvinte dominante, acontecida a partir de um contato informal com uma comunidade de quase setenta (60) indivíduos surdos em Timor-Leste na Ásia, durante o ano de 2006.

Uma interessante comunidade surda timorense. Em 2005 eu estive numa missão de cooperação do Ministério da Educação do Brasil com o Timor-Leste para um programa de qualificação profissional de professores timorenses em Língua Portuguesa.

Inscrevi-me na condição de professora de matemática. Finda a experiência, após um ano retornei ao Brasil e meses depois em maio de 2006, retornei a querida ilha asiática, desta feita por um convite de um Padre ítalo-brasileiro, Pe. Francisco Moser, o querido Pe. Chico, para trabalhar na comunidade de Ataúro – uma ilha timorense que compõem o conjunto dos seus 13 distritos.

Nesta segunda experiência, em Ataúro, a pedido do Pe. Chico, homem conhecedor da necessidade da ilha, fizemos um trabalho centrado na formação da identidade de grupos. Trabalhamos na perspectiva da “Educação para a Paz”[ii] com mulheres viúvas, pescadores, jovens e sobretudo com a já referida comunidade surda.

O que quero focar neste texto é justamente acerca do potencial desta comunidade. Não há registro de uma língua de sinais na ilha de Ataúro, ou seja, uma língua espaço-gestual típica de uma comunidade surda, devido principalmente a ausência de escolarização da maioria dos adultos e jovens, sobretudo ao período de guerrilha com a Indonésia, findo somente em 1999. O distrito de Dili, capital de Timor, é o único lugar onde se registram resquícios de uma Língua de Sinais, no caso, a Língua Indonésia de Sinais – praticada desde a invasão de Timor-Leste por este país – de 1975 até 1999;

Todavia o que quero destacar é a habilidade em comunicar-se com as línguas orais do timorense surdo de ATAÚRO – espaço no qual convivi com a comunidade surda. A quase que inexistência de sinais estabelecidos no espaço coletivo – percebi apenas o uso de sinais domésticos entre as famílias, de modo particular, pessoal e restrito – força-os a dominar as quase cinco (5) línguas orais praticadas na Ilha pelas famílias respectivas. O povo timorense em geral, devido sua peculiar história, pratica quase que meia dúzia de línguas: a língua da família da mãe – no país praticam-se 33 dialetos; a língua da família do pai; o inglês, língua comercial do país, necessariamente forjada para contacto com os inúmeros estrangeiros existentes no país; a língua portuguesa, oficial, sobretudo entre os mais velhos; o indonésio, forjado no período da guerrilha, e o dialeto local, muitas vezes distintos de todos estes demais citados idiomas.

O objetivo primordial de Pe. Chico era em princípio organizá-los em forma de associação de pais e amigos da comunidade surda, a exemplo do que é praticado no Brasil, para que a partir daí outras necessidades surgissem mediante decisões do próprio grupo envolvido. Na condição de sujeitos de sua própria história.

Mas o que me marcou no contacto com esta comunidade surda e que me move a fazer este relato é justamente o potencial lingüístico dos surdos ataurenses. Há primeiro que se destacar o potencial lingüístico de todo Timor. Por questões históricas este país é uma verdadeira babel lingüística, conforme citado acima; provavelmente por conta deste histórico o timorense utiliza várias línguas em seu dia-a-dia para comunicar-se, com grande competência, muito embora do ponto de vista da escolarização, haja restrições da academia para reconhecer, por exemplo, o domínio da língua portuguesa formal. Motivo pelo qual se intensificam ainda, decorridos quase 10 anos do fim da guerrilha, as cooperações com países lusófonos para vitalização da referida língua.

Os surdos de Ataúro entrosam-se de uma maneira peculiar com a comunidade ouvinte local. Participam de suas festas, de seu cotidiano, inclusive muitos homens são exímios pescadores. Lembro-me bem de Julião, um jovem surdo líder de sua comunidade: pescadores ouvintes. Julião é respeitado, ouvido, levado em consideração. Penso que provavelmente este respeito se deva ao fato da pesca ser fator econômico importante de subsistência da ilha e a possível origem remota da “surdez” da ilha: portanto um mérito!

O que me chamou a atenção por várias vezes era o domínio da comunicação oro-facial por parte dos surdos, muito embora não emitam sons audíveis para o interlocutor ouvinte. Eles lêem lábios com tanta habilidade e lembro-me de observá-los “lendo” inglês, os dialetos locais e algo em português, sobretudo na interlocução comigo.

A experiência de Ataúro foi breve, intensa e promissora. Sei que um trabalho mais elaborado poderá, e deverá, ser feito e servirá de base para estudos de uma fácil introdução de uma língua de sinais tipicamente timorense, dada à demonstrada habilidade lingüística do referido grupo. Pe. Chico faz um trabalho intenso de resgate histórico, e “repasse” de autonomia aos grupos.

Atualmente as Línguas de Sinais foram elevadas ao status de Língua oficial da comunidade surda de cada país de onde é originária. Elas são línguas distintas, por exemplo: existe a LGP – Língua Portuguesa de Sinais; LSF - Língua Francesa de Sinais; ASL - Língua Americana de Sinais (American Sign Language); LSA – Lengua de Señas Argentina; LSA – Língua de Sinais Australiana; LIS – Língua Italiana del Segni; HSE – Hausa Signi Language da Nigéria; e a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, etc. O importante é os ouvintes compreenderem que estas línguas são as consideradas línguas maternas da comunidade surda de cada país de origem. Para estes indivíduos a Língua falada de seu país é sua segunda língua e como tal tem toda uma legislação de proteção para seu uso redacional em concursos, testes, etc; e uma importante iniciativa americana, ainda em estudos, de grafar estas línguas de sinais, com códigos próprios, numa tentativa de firmá-las ainda mais como língua oficial.

Fica claro também a força da sócio-cultura surda na ilha de Ataúro. É um jeito de ser, um olhar mais vivo que dos demais... Este foi um contato extremamente gratificante que tive na vida; O qual me fez repensar o ensino da língua materna para surdos, a pertinência do bilingüismo do sujeito inserido, enfim, fez-me repensar pressupostos de língua e comunicação e consequentemente sobre as reais dificuldades de uma pessoa com deficiência em áudio-comunicação. Uma língua de sinais estabelecida na Ilha de Ataúro e, por conseguinte, em todo Timor, faz-se extremamente necessário.

Minha concepção do indivíduo surdo não é enquanto pessoas deficientes, mas como grupos lingüísticos culturalmente diferentes dos sujeitos ouvintes, por princípio e lógica; Mas a convivência em Ataúro me fez repensar com maior clareza a crescente oposição da academia às tentativas de imposição da participação da cultura ouvinte na prática pedagógica de surdos. Como por exemplo, os “lindos” corais de surdos praticados no Brasil e América Latina...espetáculo à parte que agrada sobremaneira aos ouvintes. Apenas.

Quando iniciei meu contato com educação especial em 1986, ou seja, com a educação e reabilitação de pessoas com deficiência, infelizmente estávamos no Brasil, vivenciando o auge da retórica do oralismo – que se traduz por forçar o indivíduo surdo a emitir som somente, sem a necessidade da prática de uma língua de sinais - como ideal de ensino aprendizagem do sujeito surdo. Ainda bem que isto é passado. Remoto.

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[i] Cleo Fernandes é bióloga, educadora matemática atuante no ensino especial desde 1986. Atualmente é doutoranda pela UTAD - UNIVERSIDADE de TRÁS OS MONTES E ALTO DOURO em PORTUGAL (vertente em Desenvolvimento Motor da Criança), cuja investigação/pesquisa será centrada em reabilitação de Deficientes; e está professora da Universidade de Cuiabá - UNIC - com a disciplina “Processos Escolares de Inclusão – LIBRAS, língua brasileira de Sinais” na faculdade de Ciências Biológicas na cidade de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso/Brasil. (cleo_terezinha@hotmail.com)

1a tilun diuk significa "orelha fechada" em tétum - língua nativa de Timor-Leste..

[ii] Trata-se de uma metodologia praticada de forma transdisciplinar em vários países; fonte inspiradora: Universidade de La Coruña/Espanha. (ORG):Xesús R. Jares - Coordenador de Educadores/as pola paz

www.educadorespolapaz.org / www.udc.es

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SITE DA FOTÓGRAFA - THAIS MENDES


Olá pessoal,

todos devem se lembrar que nossa amiga e fotógrafa Thais Mendes registrou nossos melhores momentos antes e durante a apresentação do "LIBRAS in Concert II" Para ver os bastidores dos ensaios e o grande dia, confira no site http://www.thaismendes.com.br/


ATENÇÃO: formaturas, batizados, encontro de amigos, amigo secreto, shows.... sei lá... Registre os melhores momentos de sua vida com um trabalho profissional. Vale a pena!!!


Thais, muito OBRIGADO!!! Vai se preparando para o Encontro Estadual de Intérpretes de LIBRAS e para a comemoração do Dia Nacional do Surdo: eventos que serão realizados no UniAnchieta no segundo semestre.


Abraços


Juninho

domingo, 26 de julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

As Noivas de Nelson - Teatro Solar de Botafogo/RJ







Mais de 20 Prémios em festivais de Teatro Brasileiros


As Noivas de Nelson é uma fantasia patético-surrealista baseada em cinco contos de “A vida como ela é”, em que todas as histórias envolvem de alguma maneira o noivado, o casamento ou a viuvez.
A Vida Como Ela É... era o título da coluna escrita por Nelson Rodrigues, publicada seis vezes por semana, entre 1951 e 1961, no jornal carioca Última Hora. Os temas das crónicas/contos giravam em torno das eternas obsessões do autor: os amores proibidos, adultérios e toda a sorte de perversões familiares. O cenário do Rio de Janeiro dos anos 50 é o de pano de fundo dos relatos. A peça estreou em Março de 2008 no tradicional Festival de Teatro de Curitiba, onde obteve excelentes críticas e ficou entre os 10 melhores espectáculos do evento. Desde então tem feito uma carreira de grande sucesso com três temporadas na cidade de São Paulo, uma na cidade do Rio de Janeiro, arrebatando mais de 20 prémios em festivais de teatro brasileiros.
Recentemente integrou a programação da Virada Cultural Paulista e do Mapa Cultural produzidos pelo Governo do Estado de São Paulo e do 1º Viradão Carioca, produzido pela Prefeitura do Rio de Janeiro.


Ficha Artística e Técnica
Texto - Nelson Rodrigues
Adaptação e direcção - Marco Antônio Braz
Assistente de direcção - Anamaria Barreto
Elenco - Aline Volpi, Anamaria Barreto, Ana Paula Castro, Basilides Ortega, Edivaldo Zanotti, Marcelo Peroni, Marici Nicioli, Rosangela Torrezin, Vivi Masolli, Vladimir Camargo
Cenários e Figurinos - Juliana Fernandes
Iluminação - Guilherme Bonfanti
Sonoplastia - Marco Antônio Braz/ Nando Perlati
Produção - Marcelo Peroni e Marici Nicioli
Fotografia - João Ballas
Projecto Gráfico - Rosangela Torrezin

Cia. Paulista de Artes


Mais de 32 Prémios em Festivais Marco António Braz - Prémio Shell de Melhor Direcção 2009
A Cia. Paulista de Artes surgiu em 1991, fundada por actores vindos das mais diversas escolas de teatro de São Paulo e Campinas que tinham como objectivo formar uma companhia profissional e de repertório. Desde então apresentou espectáculos infantis e adultos para grandes plateias nas principais cidades brasileiras. Entre as produções da Cia. podemos destacar “No exercício da paixão”, espectáculo inspirado em textos de Nelson Rodrigues e dirigido por Jorge Julião, vencedor de 32 prémios em diversos festivais; “Cobrindo a Megera, de olho na fera!”, espectáculo de rua escrito por Rosangela Brigoni e dirigido por Marcelo Peroni, também vencedor de muitos prémios em festivais pelo Brasil afora.
Em Agosto de 2008 a companhia estreou sua primeira produção em espanhol, “Tapate El pitito, cuidado com El Monstruito”, de Rosangela Brigoni, seleccionado como representante do Brasil na Programação Cultural da XVII International AIDS Conference, na Cidade do México.
http://www.ciapaulistadeartes.com.br/

"Falta inclusão"



O professor Júnior Nascimento afirma que, em Jundiaí e Região, faltam programas de educação para os surdos. "Em Jundiaí o trabalho é mais clínico do que educacional. Faltam programas de educação para os surdos e também intérpretes", ressalta. "Fico muito feliz por saber que tenho alunos que são enfermeiros, terapeutas, advogados, engenheiros, entre outros, que vão poder se comunicar com os surdos em suas situações profissionais."Júnior destaca que, cada país tem sua língua de surdos, o que significa que os sinais mudam de um lugar para outro no mundo. No Brasil, a língua de sinais foi reconhecida em 2002. Nos cursos de Libras que oferece, a Unianchieta é parceira do Clube dos Surdos de Jundiaí, que procura envolver os alunos da faculdade em suas atividades culturais. O clube foi fundado em 2 de junho de 1971 por Germano Luiz Gonçalves. "O clube procura dar apoio aos surdos para que eles enfrentem as dificuldades", afirma. "Há cursos de libras e vários encontros de esportes e lazer", comenta Gonçalves. E enfatiza: "Todos os que quiserem participar do clube serão recebidos de braços abertos." No início, o clube era frequentado por cerca de 30 pessoas. Hoje, recebe cerca de 110. Podem participar surdos e ouvintes. Gonçalves, que é casado com uma mulher surda e tem três filhos - todos ouvintes - sempre viaja para trazer livros e materiais para os surdos. Atualmente, está orgulhoso dos netos, que também estão aprendendo Libras.

As mãos falam. E os olhos leem


É um pouco difícil imaginar que no Brasil um adulto não conheça a música ´A Casa´, de Vinícius de Moraes. A grande maioria das crianças aprende rapidamente em escolas, ou em família mesmo, os famosos versos: Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...


No entanto, entre as pessoas surdas, é muito difícil encontrar alguma que conheça essa e outras músicas tão populares. A verdade é que quase ninguém se lembra de tentar transmitir aos surdos significados e sensações cotidianas proporcionados por diversas situações e que são tão comuns e acessíveis aos ouvintes.


No último dia 26, alunos do curso de extensão ´Introdução à Língua Brasileira de Sinais - Libras e Educação de Surdos´ da Unianchieta, em Jundiaí, emocionaram ouvintes e surdos ao apresentarem, na língua dos surdos, diversas músicas, no ´Libras in Concert II´, evento que, na realidade, é o trabalho de conclusão de curso dos estudantes. Além de sinais da língua dos surdos, os alunos usaram figurino especial e muita expressão corporal. "É o corpo falando. É expressão pura", afirmou Júnior Nascimento, professor que ministra o curso.


O auditório do campus da Unianchieta ficou lotado para as apresentações. Uma das que mais emocionou foi ´A Casa´. Num primeiro momento, os alunos se expressaram para passar a mensagem da versão tradicional da música (que também foi exibida por som eletrônico). Depois, mudaram o figurino e fizeram uma expressão para passar a versão em rock da música, gravada recentemente pela banda Capital Inicial.


Os ouvintes e surdos aplaudiram muito, sendo que, para os surdos, os aplausos são representados pelo balanço das mãos no alto. A grande maioria dos surdos confirmou que não conhecia a música.A apresentação também envolveu as músicas ´Versos Simples´, da banda Chimarruts; a música ´Lavar as mãos´, de Arnaldo Antunes; ´La Bela Luna´, dos Paralamas do Sucesso; ´Aquarela´, de Toquinho e Vinícius de Moares; e ´Faz um milagre em mim´, de Regis Danese.


Pioneirismo - Além de oferecer o curso de extensão para alunos de bacharelado e cursos de formação tecnológica, a Unianchieta já incorporou a disciplina Libras na matriz curricular dos cursos de licenciatura, o que será obrigatório para todas as faculdades do País. Elas terão que se adequar até 2015.


A Unianchieta também dispõe de intérpretes, para que surdos estudem na faculdade. Atualmente, há um aluno surdo no curso de Administração de Empresas, um no de Logística, um no de Engenharia Química e outro no de Sistemas de Informação.Miltom Romero Filho é o aluno do curso de Logística. Ele foi o primeiro aluno surdo a ingressar na Unianchieta.


"O dia-a-dia é muito complicado. Quando vou ao correio e preciso consultar um CEP, por exemplo, preciso perguntar tudo por escrito para os funcionários. Ir ao supermercado também é supercomplicado. Mas na faculdade a gente aprende a lidar com isso também", afirma. Miltom também acompanhou o concerto dos alunos da extensão e aprovou. "Já houve uma apresentação no ano passado que foi muito boa. Este ano, foi melhor ainda.


"Christopher Lee, 19 anos, também cursa Logística, mas é ouvinte. Ele se apresentou no concerto. "É mágico podermos mostrar o que aprendemos nesse curso de extensão. O curso terminou, mas pretendo continuar estudando Libras", comentou. Colega de classe de Miltom, Lee afirma que a amizade entre eles ficou mais intensa. "Antes de eu fazer o curso, não conversava com o Miltom. Agora dá para interagir muito. Sempre nos comunicamos, inclusive para marcar atividades fora da faculdade."


* Para esta reportagem, o JJ Regional conseguiu se comunicar com os surdos com auxílio do intérprete Alexandre de Lima Faria.

PATRÍCIA BAPTISTA - 05-07-09